Bispos católicos na África apoiaram os esforços para integrar a medicina tradicional aos sistemas de saúde dos países, enquanto especialistas examinam como a prática pode ampliar o acesso, apoiar a prevenção e aliviar a pressão sobre os serviços sobrecarregados.
Muitos países africanos se comprometeram a integrar essa prática aos seus sistemas de saúde, no âmbito da estratégia global de Medicina Tradicional da Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Há muito tempo, defendo a integração de práticas de cura tradicionais – ervas, canções, danças etc. – em nossos sistemas de saúde. Sei que a padronização pode exigir mais pesquisas, o que por si só não é desculpa”, disse Dom Willybard Kitogho Lagho, Bispo de Malindi, no Quênia.
As autoridades da Igreja também têm agido com cautela, enfatizando o valor dos remédios à base de ervas e outras práticas de cura, rejeitando, porém, as superstições geralmente associadas à bruxaria e à magia.

As conferências episcopais africanas não têm posições formais sobre a prática, mas os líderes afirmam que não há objeções. Autoridades de saúde da Igreja também acompanham de perto os desenvolvimentos nessa área, como no Quênia, em que pesquisadores estão produzindo produtos fitoterápicos utilizáveis para o tratamento de diversas doenças, com base no conhecimento tradicional. Alguns membros do clero e religiosos em outras partes do continente também pesquisam e praticam a medicina tradicional.
Segundo a médica Hiba Boujnah, Chefe de Estratégia Global e Parcerias do Centro de Competência em Medicina Tradicional e Integrativa da Charité, em toda a África, a medicina tradicional mantém-se um componente vital da saúde e do bem-estar.

“E continua sendo o primeiro ponto de contato com a saúde para muitas pessoas na África e em todo o mundo. E hoje é inegável que a medicina tradicional desempenha um papel crucial no fortalecimento da atenção primária à saúde, visando a alcançar a cobertura universal de saúde”, disse ela em uma reunião realizada em Nairóbi, sob o tema “Reimaginando os sistemas de saúde da África: inovação, integração e interdependência”.
Fonte: The Tablet




