TODO O MÊS DE junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus; a Festa ou Solenidade do Sagrado Coração de Jesus é no dia 12 de junho.
Nas Sagradas Escrituras, encontramos quase mil vezes repetida a palavra “coração”, às vezes com sentido de alma. Sumamente vinculada ao símbolo que o coração representa, está a devoção ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em primeiro lugar, simbolizando o infinito Amor de Deus pelo gênero humano: o Sagrado Coração de Jesus faz parte de sua adorável Pessoa. Entre os elementos integrantes da Pessoa de Cristo, nenhum há tão apropriado como o coração para ser objeto de culto especial. Simboliza a obra do Amor infinito levada ao extremo, pelo nosso bem, pelo Verbo feito homem, no Mistério da Encarnação e Redenção. Portanto, o culto tributado ao Sagrado Coração de Jesus é culto tributado a Jesus Cristo na qualidade de amante do homem.
“O Coração do nosso Salvador reflete de certo modo a imagem da Divina Pessoa do Verbo, e, igualmente, das suas duas naturezas: humana e divina; e nEle podemos considerar não só um símbolo, mas também como que um compêndio de todo o Mistério da nossa Redenção. Quando adoramos o Coração de Jesus Cristo, nEle e por Ele adoramos tanto o Amor incriado do Verbo divino como o seu amor humano e os seus demais afetos e virtudes, já que um e outro moveram nosso Redentor a imolar-se por nós e por toda a Igreja, sua Esposa”.
(Nº 43)
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| Santa Margarida Maria Alacoque |
Um escriba de Jerusalém, doutor da lei, perguntou a Jesus qual era o primeiro de todos os mandamentos. Eis a resposta de Nosso Senhor: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda a tua mente, e de todas as tuas forças” (Mc 12,30).
Se de todo coração uma pessoa ama a Deus, estará disposta a sacrificar-se por Ele; estará pronta a combater aqueles que atacam e desprezam seus divinos Ensinamentos, e tudo fará para reparar as ofensas que se fazem contra Deus. Qualquer ofensa a Ele, tomará como se fosse mais grave que uma ofensa pessoal, e desejará ardentemente consolá-lo pelo ultraje recebido. Exemplo admirável desta disposição foi a vida de Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), enaltecida por Nosso Senhor como “Discípula dileta de meu Coração”.
A esta Santa mulher é que devemos — ela com o apoio de seu diretor espiritual, São Claudio de la Colombière —, a grande expansão, no século XVII e nos seguintes, da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, principalmente na reparação àquele Coração ofendido pelos pecados dos homens. A ela Nosso Senhor pediu (em Paray-le-Monial, França) que fosse instituído o excelente costume da Comunhão reparadora das primeiras sextas-feiras de cada mês.
Além desta grande mística, poderíamos citar muitas outras almas santas que difundiram atos de piedade para desagravar o Divino Coração. Um exemplo é o da simples menina Jacinta, a quem Nossa Senhora, no ano de 1917, apareceu em Fátima. Com apenas 10 anos, ela já tinha uma clara noção disso. Pouco antes de seu falecimento, disse à sua prima Lúcia: “Se eu pudesse meter no coração de toda a gente o lume que tenho cá dentro no peito, a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria!”. Palavras singelas, mas que revelam o quanto uma menina inocente se abrasava de Amor de Deus e se compadecia daqueles Corações ofendidos.
Muitos católicos vivem como se Deus não existisse
O mundo atual sofre os abalos de um terrível terremoto moral. Todas as instituições da sociedade e do Estado encontram-se flageladas por crises profundas, porque o Criador e Redentor do gênero humano deixou de estar no centro das cogitações, até no centro dos corações daqueles que se dizem católicos. Ele é ultrajado de todos os modos, tendo sido destronado na sociedade neopagã de nossos dias.
Como remediar essa situação catastrófica? O Papa São Pio X nos indicou uma solução: “Se alguém pedir uma palavra de ordem, sempre daremos esta e não outra: Restaurar todas as coisas em Cristo”. Para isso, a necessidade de se reentronizar o Sagrado Coração de Jesus nas almas, nas famílias, nas instituições, em todas as nações. Numa palavra: restaurar a Realeza social e divina d’Aquele que é “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19,16). Para isso, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus é o remédio por excelência.
Não sejamos, então, surdos e ingratos a essa sublime devoção, correspondendo ao Divino Amor de Deus por nós. Como corresponder? Procurando fazer tudo conforme seus divinos Preceitos, e evitar tudo o que os contraria. Assim, estaremos purificando nossos corações e assemelhando-os ao Sacratíssimo Coração.
Uma breve aplicação: por obra da funesta Revolução Francesa, o Rei Luís XVI foi condenado à guilhotina. Subiu ao patíbulo com toda a paciência, mas quando o carrasco quis amarrar suas mãos, num gesto enérgico ele não permitiu, dizendo que não aceitaria tal humilhação. Seu último confessor, Pe. Edgeworth de Firmont, então, lhe disse: “Senhor, esta humilhação será ainda mais um traço de semelhança entre Vossa Majestade e Nosso Senhor Jesus Cristo”. Ao ouvir isso, Luís XVI respondeu: “Se isso agrada a Jesus, estou pronto para ser amarrado”.
Tal resposta do soberano francês poderia ser aplicada em todas as circunstâncias de nossa vida: estarmos sempre prontos a fazer tudo o que agrada a Jesus; e nada, absolutamente nada que o desagrade. Para chegar à perfeição dessa prática habitual, é muito aconselhável a jaculatória do final da Ladainha do Sagrado Coração: “Jesus, manso e humilde de coração. Fazei nosso coração semelhante ao vosso!”.
História da Devoção ao Sagrado Coração de Jesus
A devoção ao Sagrado Coração de Jesus surgiu no século XVII, quando Santa Margarida Maria de Alacoque, religiosa do convento das Irmãs da Visitação de Paray-le-Monial, recebeu a visita de Nosso Senhor, que lhe apareceu três vezes. A primeira foi em dezembro de 1673, a segunda em 1674 e a terceira em 1675, quando o Cristo manifestou-se-lhe com o peito aberto e apontando seu próprio Coração, e exclamou: “Eis o Coração que tem amado tanto aos homens a ponto de nada poupar até exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes seu Amor. E em reconhecimento não recebo senão ingratidão da maior parte deles”.
Durante essas aparições, Jesus fez 12 grandes promessas àqueles que fossem devotos de seu Coração Misericordioso e que participassem da Santa Eucaristia, comungando pela reparação dos nossos pecados e dos pecados do mundo, toda primeira sexta-feira de cada mês, durante nove meses seguidos. Depois, em 11 de junho de 1899, o Papa Leão XIII consagrou todo o gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus, afirmando ser esse o maior ato de todo o seu pontificado.
Dessa forma, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus difundiu-se por todo o mundo e foi recomendada por muitos Papas da Igreja. Muitos grandes Santos, como São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola, Santa Tereza D’Avila e outros, dedicaram terna devoção, admiração e adoração ao Sagrado Coração de Jesus. Hoje, o movimento do Apostolado da Oração ao Sagrado Coração de Jesus zela por essa devoção e a propaga pelo mundo todo. Listamos, abaixo, as doze promessas de grandes benefícios espirituais para às vidas daqueles que têm essa santa devoção:
• 1ª Promessa: “Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”.
• 2ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias ”.
• 3ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”.
• 4ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”.
• 5ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”.
• 6ª Promessa: “Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”.
• 7ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”.
• 8ª Promessa: “As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição”.
• 9ª Promessa: “A minha Bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”.
• 10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”.
• 11ª Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”.
• 12ª Promessa: “A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.
Pequena Oração de Consagração ao Sagrado Coração de Jesus, de Santa Margarida Maria Alacoque
“Eu, (seu nome), entrego e consagro ao Sagrado Coração de Jesus minha pessoa e minha vida, minhas ações, dores e sofrimentos, e quero me servir de todas as partes de meu ser apenas para honrá-Lo, amá-Lo e glorificá-Lo.Amém!”
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Ref.:
• SCHNEIDER, Roque. Espiritualidade do Coração de Jesus. São Paulo: Loyola, 2002.
• DUFOUR, Gerard. Rezar 15 dias com Margarida Maria, São Paulo: Loyola, 2003.









