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Há três décadas, Arsenal da Esperança fortalece sua missão de acolhida à população em situação de rua

Cardeal Odilo Pedro Scherer, padres concelebrantes, servidores do altar e assembleia de fiéis na missa em ação de graças pelos 30 anos do Arsenal da Esperança em São Paulo, no

Há três décadas, Arsenal da Esperança fortalece sua missão de acolhida à população em situação de rua

Cardeal Odilo Pedro Scherer, padres concelebrantes, servidores do altar e assembleia de fiéis na missa em ação de graças pelos 30 anos do Arsenal da Esperança em São Paulo, no sábado, 21
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Portões que nunca se fecham, turnos que se sucedem dia e noite e uma rotina marcada pelo acolhimento. Há 30 anos, essa dinâmica sustenta o Arsenal da Esperança, na zona Leste da capital paulista, onde diariamente cerca de 1,2 mil homens em situação de rua encontram abrigo, alimentação e oportunidades de recomeço. O aniversário da instituição foi celebrado no sábado, 21, reunindo colaboradores, voluntários, benfeitores e membros da Fraternidade da Esperança vindos de Turim, na Itália, onde nasceu a iniciativa. 

O ponto central das comemorações foi a missa em ação de graças, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, e concelebrada por diversos sacerdotes. 

Mais do que um centro de acolhida, o Arsenal se consolidou, ao longo de três décadas, como uma experiência contínua de reconstrução de trajetórias de vida. Instalado na antiga Hospedaria dos Imigrantes, no Brás – espaço historicamente ligado à chegada de milhões de migrantes ao Brasil –, o local mantém viva sua vocação original: ser ponto de partida para novos caminhos. 

Há três décadas, Arsenal da Esperança fortalece sua missão de acolhida à população em situação de rua - Jornal O São Paulo

VIDA NOVA 

Na homilia, Dom Odilo situou a missão da instituição no coração da fé cristã, a partir do Evangelho do 5º Domingo da Quaresma, que narra a ressurreição de Lázaro. “Jesus Cristo é a ressurreição e a vida… e quem vive e Nele crê, ainda que esteja morto, viverá”, recordou o Arcebispo, destacando que a experiência cristã passa pela superação das “mortes” presentes no cotidiano – como o pecado, a exclusão, a injustiça e o egoísmo. 

Ao relacionar essa mensagem com a realidade do Arsenal, o Cardeal afirmou que a obra se insere concretamente nesse movimento de passagem da morte para a vida. “Não é à toa que se chama Arsenal da Esperança. É uma obra que faz renascer a esperança para tantas pessoas”, disse. Segundo ele, trata-se de um trabalho que nasce da caridade cristã e se traduz em gestos concretos de acolhida, capazes de devolver dignidade e perspectiva a quem chega. Dom Odilo também destacou a importância do engajamento de diferentes setores. “Que este trabalho continue a ser sinal de vida… e que muitos continuem a se envolver, inclusive por meio de políticas públicas de vida e de esperança”, manifestou. 

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HISTÓRIA 

A origem do Arsenal da Esperança remonta à Itália, onde, em 1964, o italiano Ernesto Olivero e sua esposa, Maria Cerrato, fundaram o Sermig (em italiano, Servizio Missionario Giovani), mobilizando jovens para ações concretas de solidariedade. Em 1983, o grupo transformou uma antiga fábrica de armas em Turim no “Arsenale della Pace”, gesto que deu forma ao carisma da obra: converter estruturas marcadas pela violência e pela exclusão em lugares de acolhida e paz. 

Esse mesmo impulso chegou a São Paulo em 1996, a convite de Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida (1930- 2006), à época Bispo Auxiliar de São Paulo. Desde então, o Arsenal ampliou sua atuação, mantendo uma proposta que articula assistência imediata com acompanhamento social e iniciativas de formação. 

Os números ajudam a dimensionar essa trajetória: mais de 79 mil pessoas acolhidas, cerca de 28 milhões de refeições servidas e mais de 12 milhões de pernoites oferecidos. No entanto, como destacam seus responsáveis, a identidade da instituição não se esgota nos dados, mas na experiência cotidiana que ali se constrói. 

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CONTINUAR A SONHAR 

O presidente da Associação Sermig, Padre Simone Bernardi, sublinhou o sentido da missão que sustenta a obra ao longo dos anos. Ao recordar a origem do nome, ressaltou a intuição de transformar “uma fábrica de armas em um arsenal de paz”. Para ele, essa mesma lógica continua a orientar o cotidiano da casa, marcado por uma fidelidade que se expressa na perseverança. “Fidelidade não significa só permanecer, mas continuar a sonhar, continuar a acreditar”, afirmou, sintetizando o método da instituição: “Temos de continuar a dar, sem olhar se a pessoa merece ou não merece”. 

Representando o fundador Ernesto Olivero, Rosanna Tabasso, presidente da Fraternidade da Esperança do Sermig, destacou que a história do Arsenal é construída pelo “sim” de muitas pessoas que, ao longo dos anos, fizeram de suas vidas um dom a serviço dos mais necessitados, garantindo a continuidade da obra. 

Rosanna também ressaltou a dimensão espiritual e comunitária que sustenta a obra desde sua origem. Segundo ela, o Arsenal da Esperança é fruto de uma história construída na fidelidade cotidiana, marcada pela confiança em Deus e pelo compromisso concreto com os mais pobres. Ao recordar o percurso iniciado na Itália, comentou que cada pessoa envolvida – voluntários, colaboradores e membros da Fraternidade – contribuiu para que a iniciativa se mantivesse viva ao longo dos anos, transformando um projeto inicialmente improvável em uma presença contínua de acolhida e esperança. 

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RECONHECIMENTO 

No início da celebração, Domenico Fornara, cônsul-geral da Itália em São Paulo, falou sobre o valor histórico do espaço e sua ligação com a imigração. “Este lugar tem uma importância incrível. Aqui foram acolhidas milhões de famílias ao longo de mais de 100 anos”, afirmou, ressaltando também o significado do Arsenal como expressão de retribuição à acolhida recebida por italianos no Brasil. 

Representando a Prefeitura de São Paulo, Enrico Misasi, secretário-chefe da Casa Civil, enfatizou o impacto da iniciativa. “O que é feito aqui, na escala em que é feito, é algo único na cidade”, disse, ao destacar a capacidade de conciliar atendimento em grande escala com atenção a cada pessoa. 

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HOMENAGEM 

No fim da celebração, foi exibido um vídeo com mensagem de Ernesto Olivero, que conduziu a oração de sua autoria pelo Arsenal da Esperança. No texto, ele sintetizou o percurso da instituição e renovou seu horizonte: “Com o nosso pouco, Tu fizeste muito […] ajuda-nos a continuar no Teu serviço, para acolher e dar esperança a todos aqueles que batem à nossa porta”. 

Como parte das comemorações dos 30 anos do Arsenal, está em preparação a apresentação de um musical inspirado em sua trajetória, prevista para setembro. Algumas das canções do espetáculo foram apresentadas no sábado pelo coral da Oficina Viva Produções, sob a direção da cantora e compositora Ziza Fernandes. 

CONHEÇA E COLABORE COM O ARSENAL DA ESPERANÇA 

O Arsenal da Esperança convida a sociedade a conhecer mais de perto sua atuação e a participar desta rede de solidariedade, seja por meio do voluntariado, de doações ou da divulgação de seu trabalho. Informações sobre a instituição e formas de colaboração podem ser acessadas em: https://br.sermig.org/arsenais/arsenal-da-esperanza-sao-paulo-brasil.html.

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